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Dança de Rua e seus paradígmas II
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Dança de Rua e seus paradígmas
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Por William S. Cajú
"Cabe
à dança investigar e organizar grupos de pessoas, em sua
própria e mais singular natureza..."
( Inês Bógea, 2004 )
Atualmente
venho recebendo inúmeros e-mails de pessoas de todo o país,
estudiosos, coreógrafos, dançarinos e amantes da dança,
querendo saber um pouco mais sobre esta arte que em minha opinião
não pode ficar presa somente dentro das academias, envoltas em
coreografias, mas deve ganhar o intelecto e ser discutida, falada e
sobretudo difundida. Não podemos apenas dançar, também
temos que falar sobre dança, sonhar a dança, fantasiar!
O que mais me chamou a atenção, foi perceber o aumento
do número de estudantes, mestrandos e doutorandos, buscando informações
teóricas sobre dança de rua, o que me deixa muito feliz,
por saber do interesse que vem despertando este estilo que vem crescendo
nos últimos anos.
A minha orientação é sempre a mesma, infelizmente
a dança de rua não tem dados históricos consistentes
e confiáveis, tendo em vista o rigor metodológico e científico
que é exigido nos trabalhos acadêmicos.
A história da dança de rua, bem como, sua trajetória
se encontra perdida em meio a tantas especulações, fontes
divergem de outras e por fim, a dúvida! De onde veio a dança
de rua realmente? Quem foi seu principal criador? Qual a data exata
de sua criação?
Todas essas questões devem nos fazer refletir enquanto profissionais
do meio, em como podemos sistematizar as informações que
temos sobre dança de rua para que possamos saciar o interesse
de nossos estudantes e pesquisadores. Creio que este assunto deva ser
discutido amplamente nos fóruns, festivais e congressos que existem
em todo o país, que reúnem o que existe de melhor em especialistas
de dança.
O que eu posso dizer como em outros artigos que já escrevi é
que a dança de rua desde os primórdios de seu aparecimento,
sempre esteve relacionado aos preconceitos sociais enraizados na mente
humana, existindo ainda muitos paradigmas a serem quebrados. Um deles
é o fato da dança de rua não ser reconhecida como
uma dança "acadêmica", pois ainda não
existe uma metodologia sistemática de ensino. De fato, ainda
é um estilo que desperta pouco interesse por parte dos profissionais
de dança.
Minha experiência enquanto educador social que utiliza esta linguagem
nas intervenções que faço é muito positiva.
Tenho evidenciado nos últimos anos a grande aceitação
da dança de rua em projetos sociais que lidam com crianças
e adolescentes de baixa renda e vitimizadas socialmente, bem como, em
academias, nos festivais de dança e programas de TV em que grupos
independentes dão um show de criatividade e performance.
Estas experiências e observações me faz defender
e comprovar, mesmo que de uma forma empírica este estilo que
nasceu das ruas e ganhou o mundo através de sua simplicidade
e diversidade de técnicas próprias, trazidas dos guetos
norte americanos e que hoje, tornou-se um dos quatro elementos do Hip
Hop que mais ganhou espaço nas últimas décadas.
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William S. Cajú é psicoeducador, diretor e coreógrafo
da Cia Dança de Rua pela Vida, coordenador do projeto Quartel
Legal - Jovens Multiplicadores da PAZ e pesquisador dos diversos estilos
de dança voltados para a proposta dança/educação.
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