Ana Luiza Freire pesquisadora em dança algfreire@ig.com.br
Em meio às comemorações da 50ª Feira do Livro de Porto Alegre (29 de outubro a 15 de novembro de 2004), onde também se comemoram os 50 anos da institucionalização da cultura no estado, achei pertinente perguntar: qual o público que aprecia bibliografias de dança?
As Universidades? As Escolas particulares? Os Festivais? Sim para os três. Com números ainda tímidos, mas reais e existentes, os leitores começam a marcar presença e especializar sua preferência.
Com certeza as Universidades tem sido a maior porcentagem deste público especializado, mas não posso deixar de mencionar as iniciativas das pequenas Escolas de dança e, de alguns Festivais que inserem em sua programação, lançamento de livros e espaços de comercialização dos mesmos.
Após uma visita a algumas livrarias da capital, e uma série de perguntas aos livreiros, percebi que o público que procura por livros de dança é mínimo, os livros quase não saem, afirma uma vendedora. A pouca rotatividade deve-se, em primeiro lugar, pelo preço alto dos livros, que seduzem os olhos do artista. Gravuras ou fotografias que tomam toda página, papel brilhante e uma impressão de primeira qualidade. Os livros didáticos tem saída sim, mas precisam cativar primeiro pela capa, depois pelo título, e por fim, conteúdo e bibliografia. A não ser aquele obstinado que vai direto ao assunto e vasculha tudo no primeiro minuto.
Após ter ouvido uma afirmação equivocada de que o Rio Grande do Sul não produz pesquisa em dança, aliás uma afirmação que não cala e tem cumprido o papel de me instigar cada vez mais a pesquisar, percebo que as produções tem sido tímidas, porém existentes. E, se a pesquisa existe, seja nos cursos de graduação em Educação Física, Filosofia, Comunicação, Dança, etc, ela, mesmo sem incentivo financeiro, chega a publicação. Que raro!
O Estado do RS tem uma lei que poderá ser aliada a este processo. Trata-se da lei nº 11.670, de 19 de setembro de 2001, que estabelece política para o livro e a leitura, sendo o RS o primeiro estado do Brasil a contar com tal lei que estabelece política para o livro e a leitura.
No parágrafo único diz: A Política a que se refere o caput deste artigo visa a fomentar o desenvolvimento cultural, estimular a criação artística e literária e reconhecer o livro como instrumento para a formação educacional, a promoção social e a manifestação da identidade cultural do Rio Grande do Sul, mediante as seguintes diretrizes:
Vamos citar algumas:
- dinamizar a democratização do livro e seu uso mais amplo como meio principal na difusão da cultura e transmissão do conhecimento, fomento da pesquisa social e cientifica, conservação do patrimônio cultural do Estado...;
- incrementar e
melhorar a produção editorial estadual, observando-se especialmente
a condições de qualidade, quantidade, preço e variedade;
- estimular a produção dos autores gaúchos;
- converter o Estado do Rio Grande do Sul em centro editorial...;
- preservar o patrimônio literário, bibliográfico e documental do Estado do Rio Grande do Sul;
- fomentar as exportações de livros publicados no Estado do Rio Grande do Sul;
- estimular a produção e a circulação do livro no Rio Grande do Sul;
- criar e desenvolver em todo o Estado novas bibliotecas, livrarias e postos de vendas para livros.
Leia a lei na íntegra no site: www.camaradolivro.com.br
www.conexaodanca.art.br