Coppélia

Marcela Benvegnu

A Oficina da Dança de Piracicaba apresentou neste final de semana nas dependências do Teatro Municipal “Dr. Losso Neto” seu espetáculo de final de ano, “Coppélia”, obra de balé de repertório composta por três atos, que teve sua estréia em 25 de maio de 1870 na Ópera de Paris, com coreografia de Arthur Saint Léon e música de Léo Delibes.
Balés de repertório são peças que contam uma história, usando dança, música e “mis en scene” (mímica). Foram escritas, montadas e encenadas pela primeira vez na época “áurea” do ballet clássico, na época do romantismo e neoclassicismo das artes.

Depois da repetição de seres etéreos nas criações românticas, o povo francês, depois a Revolução Industrial em 1870, esperava por algo novo. Foi assim que nasceu “Coppélia”, ou “A menina dos Olhos de Esmalte”, um balé cheio de novidades para a época, mas que não perdia o ar do Romantismo.

A “Coppélia”, da Oficina da Dança, teve remontagem e adaptação coreográfica de Camila Pupa (leia-se Espaço de Danças Ilusão e Vida - SP), uma das mestras da dança clássica no país e direção geral de Cristina Fioravante e Tânia Lacreta.

Como protagonistas, Marcela Lacreta (como Swanilda) e Raydel Cáceres (bailarino cubano especialmente convidado como Franz), fizeram o público que lotava o Teatro Municipal de Piracicaba ter contato com uma verdadeira obra do repertório clássico.

Respeito e cuidado com a obra foram “qualidades” muito bem adaptadas ao espetáculo: meia-calça combinando perfeitamente com as cores das sapatilhas das bailarinas, bom gosto com figurinos e intérpretes expressivas com movimentos adequados à época que estava sendo encenada faziam o público voltar 134 anos e, mais importante do que isso, uma adaptação fiel aos movimentos da versão original eram tranqüilamente notada.

Destaque também para a forma com que os atos eram apresentados. Uma narração (voz de Cristina Grosso) explicava o que o público iria apreciar em forma de movimento e para o libreto que trazia release sobre o balé, contextualização histórica do período da obra e explicações do que na verdade é um balé de repertório.

O único, porém, ficou por conta dos diferentes sapatos das Bonecas Espanholas, modelos diferentes, alguns com placas e outros com pregos, se misturavam em um sapateado americano e flamenco. Detalhes que podem ser tranqüilamente ajustados podem fazer com que a coreografia de movimentação interessante se torne mais homogênea.

Futuro certo para as jovens Carla Codô e Jeane Machado e para as pequenas estrelas Mariana Nakamura e Julia Vergal, sem esquecer que Marcela Lacreta continua tecnicamente “excelentemente” bem preparada.

A Oficina da Dança cumpriu o objetivo de fazer uma obra do repertório clássico que prima pela sensatez da educação do bailarino e da platéia tendo o cuidado maior de não apenas copiar e reproduzir um balé do vídeo, mas sim fazer com que todos os seus alunos se transportem no tempo e sejam bonecas colombinas, chinesas, escocesas, espanholas, soldados, polonaises, amigos, amigas e dancem seja ao som da valsa, da mazurca ou das czardas, mas que sejam um verdadeiro balé.

Para saber mais conheça um pouco da história de “Coppélia”. A primeira parte da história, dividida em três atos, se passa na praça de uma cidade da Cracóvia onde Swanilda (Marcela Lacreta) está com ciúme de seu noivo, Franz (Raydel Cáceres), pois ele parece estar apaixonado pela suposta filha de um fabricante de bonecos, o Dr. Coppelius (Carlos Pupa).

Coppélia (Mariana Petrini), porém, não passa de uma boneca mecânica que faz o movimento de atirar beijos. No que é respondida por Frantz, Swanilda o surpreende nessa atitude e ameaça romper o noivado. Dr. Coppelius deixa cair inadvertidamente a chave de sua casa na praça e Swanilda a encontra e chama suas amigas (Amanda Ribeiro, Bruna Dedini, Carla Côdo, Gabriela Cezarino, Jeane Machado, Laís Gonzáles, Luisa Lacreta e Marina Ortigossa).

Temerosas, abrem a porta e entram na loja do misterioso velhinho (onde se passa o segundo ato da obra), onde Coppélia está sentada entre outros bonecos, tendo um livro nas mãos. Ao se aproximarem, Swanilda e as amigas descobrem que ela é uma boneca de corda. Swanilda resolve pregar uma peça no velho vestindo-se com as roupas da boneca e assumindo o seu lugar.

Dr. Coppélius, através de passes mágicos, aproveita a oportunidade para tentar realizar um sonho: transferir a vida de alguém para a sua Coppélia. Ele força Frantz a beber até que fique embriagado. Realiza então uma série de passes cabalísticos, Swanilda entra na brincadeira e finge ganhar vida, deixando o velho enlouquecido com suas danças rápidas e sensuais. Por fim, preocupada com o noivo, resolve acabar com o jogo e revela sua identidade fazendo Dr. Coppélius chorar de desapontamento.

Finalmente Swanilda e Franz irão oficializar sua união com o casamento (terceiro ato). O vilarejo está reunido na praça para celebrar a bênção do sino da igreja e o casamento dos dois. O Dr. Coppélius entra furioso exigindo uma indenização dos prejuízos causados em sua loja, mas o Burgomestre (Fernando Miranda) entrega-lhe uma bolsa com o dote da menina e o balé se encerra em clima de alegria e confraternização geral.

Marcela Benvegnu é bailarina, jornalista e pós-graduada em dança pela UFBa (Universidade Federal da Bahia), e escreve às terças-feiras no TodoDia

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Marcela Benvegnu é bailarina, jornalista e pós-graduada em dança pela UFBa (Universidade Federal da Bahia), e escreve às terças-feiras no TodoDia.

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