Dança
de Rua: Um Desafio a ser Enfrentado
Por William
S. Cajú
Email: williamscaju@yahoo.com.br
Como unir ciência e Dança de Rua? Uma tarefa que parece
um tanto que difícil aos olhos de muitos amantes deste estilo.
Por muitas vezes fiquei me perguntando... Como podemos ajudar a Dança
de Rua a ser uma modalidade reconhecida? Bom! Isto é uma pergunta
que eu tento desvendar até hoje...
Existe uma confusão e uma especulação de informações
históricas e contemporâneas muito complexa, pois dentro
da própria linha de atuação, grandes correntes
não se aceitam.
O Hip Hop é um grande movimento ideológico que surgiu
englobando os clássicos elementos: Música (Rap), Dança
(Break Dance), Artes Visuais (Grafite) e a figura do Dj. A junção
destes elementos forma todo este fantástico movimento, rico
em cultura e ação social.
Pois bem, regionalmente e até ideologicamente, separam, street
dance de dança de rua, por fim, os radicais não aceitam
como parte do movimento, e aí, ficamos presos numa imensa bola
de neve.
Há uma dificuldade extremamente grande de pesquisadores iniciantes
em conseguir informações precisas e não muito
difusas sobre a dança de rua e sua história. O que existe,
são muitas "histórias" e nada para que esta
nova gama de pensadores possa se embasar teoricamente.
Cresci dentro de um grupo raiz de Hip Hop que sempre me ensinou primeiramente
a ser inteligente, pois assim, poderemos construir um trabalho sério,
fidedigno e com os pés no chão!
Percebo que estamos passando por um momento de transição
histórica muito grande e a dança de rua não pode
ficar de fora! Recebo inúmeros e-mails de pesquisadores e pensadores
de todo o país, interessados em não apenas dançar,
mas falar e pensar sobre dança... Isto já é um
passo extremamente importante no plano das idéias...
Percebo
a dificuldade de grandes profissionais de "raiz" que fazem
o possível e o impossível para manter a imagem de um
estilo cunhado com muito sacrifício.
Por outro lado, percebo também, que a nova leva de profissionais
iniciantes procuram superar seus limites e colocar suas performances
no auge de suas intenções e isto ao meu pensamento é
muito ruim...
É o momento de procurarmos deixar algo que fique para a história,
algo assim como o movimento Hip Hop, que foi transmitido de geração
para geração de uma forma muito peculiar. Devemos sistematizar
nossos conhecimentos, deixá-los mais claros e caminhando na
mesma direção. Devemos deixar de lado também,
as divergências e as discussões teóricas e históricas
quem não tenham fundamento algum... Assim, deixaremos de caminhar
sempre em "círculos" e poderemos avançar rumo
ao futuro!
Temos que pensar mais sobre dança, escrever mais, discutir
mais... Temos que deixar um legado que perpetue, que possamos levar
nas viagens, lendo, ouvindo James Brown e absorvendo tudo aquilo que
a essência do movimento quer nos transmitir, mas que muitas
vezes desconhecemos.
Quero ficar velho, sem deixar de dançar e ler para os meus
netos, a história de lutas e de grandes profissionais que fizeram
história, que conseguiram no ontem, estruturar e dar a base
sólida para a atuação e difusão de um
grande estilo de dança...
Então, dancemos, falemos e pensemos mais sobre Dança
de Rua!!!
* William
S. Cajú é educador social, diretor e coreógrafo
da Cia Dança de Rua pela Vida, pesquisador dos diversos estilos
de dança voltados para a proposta dança/educação
e membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Desenvolvimento e Intervenção
Psicossocial da Universidade de São Paulo - USP Ribeirão
Preto/SP.
Cia.
Dança de Rua pela Vida
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