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Dança
na Escola: Panoramas, Perspectivas e Necessidades
Paula
Vianna Penso - clmjr@brturbo.com.br
Recentemente muito tem se discutido sobre a dança e sua introspecção
no espaço escolar, a melhor forma desta disciplina ser ensinada
e desenvolvida, bem como os benefícios e as qualidades que a
mesma proporciona no ambiente da escola. Contudo, apesar da evolução
deste debate ainda é possível observar o grande descaso
que a dança está sofrendo na rede de ensino brasileira.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) publicados no de 1996,
os quais padronizam e oferecem uma diretriz para o ensino brasileiro
estabeleceu a dança como algo obrigatório no currículo
escolar, estando inclusa na disciplina de Arte. Os Parâmetros
Curriculares , estabelecem quatro grandes áreas do Ensino da
Arte: artes visuais, dança, teatro e música. Sobre a dança
propriamente dita os PCNs relatam que:
"Por
meio dança, o aluno experimenta um meio expressão diferente
da escrita. Ao falar com o corpo ela tem a possibilidade de falar com
si mesma de outra maneira e melhorar a auto-estima. O simples prazer
de movimentar o carpo alivia o stress diário e a tensão
escolar. Para isso é importante que o corpo não seja tratado
como instrumento, mas como forma de comunicação. Pouco
adianta, por exemplo ensaiar exaustivamente uma coreografia se atividade
for apenas mecânica e tratada de forma alienante.
Ainda de
acordo com PCNs, os principais objetivos da dança seriam: valorizar
diversas escolhas de interpretação e criação,
em sala de aula e na sociedade, situar e compreender as relações
entre corpo, dança e sociedade e buscar informações
sobre dança em livros e revistas e ou em conversas com profissionais.
Mesmo com essa obrigatoriedade legal, é fácil observar
que nas poucas escolas em que há dança, esta é
desenvolvida como atividade extracurricular. Em pesquisa realizada em
2004, acadêmicos do curso de licenciatura e bacharelado em Dança
da Faculdade de Artes do Paraná, constataram justamente essa
situação e ainda apontam que "docentes" que
ministram essas aulas não são qualificados para ministrar
essa disciplina. (Não possuem graduação em Dança).
( ONUKI et all 2005, p.) colocar a página
A desqualificação destes profissionais que ministram as
aulas de dança fez com que a Arte/Dança fosse escolarizada
com um caráter alienado e excessiva valorização
do fazer artístico mecânico e pré-determindado,
ora na questão de práticas espontâneas, sem fundamentação
teórica, e, ou na técnica de todo conteúdo da educação
artística. (MARQUES 2001, p.53)
Contrapondo com o "padrão" existente da dança,
MARQUES (2001) aponta que a arte deveria ter o seguinte slogan: "arte
como conhecimento" e não como técnica e, ou arte
como expressão, embora estes três tipos de arte possuam
importância, porém em locais diferenciados. Nesta linha
de raciocínio BARBOSA (1992) defende a excelência de um
"processo de alfabetização" da dança.
Ou seja, para este autor, a dança na escola deve dar ênfase
à leitura das palavras e gestos, ações, imagens,
necessidades, desejos, expectativas de nós mesmos e do mundo
em que vivemos. "Esta decodificação precisa ser associada
ao julgamento da qualidade do que está sendo visto aqui e agora
em relação ao passado, pois ler julgar a qualidade imagens
produzidas por artistas ou do mundo cotidiano que nos cerca faz parte
de entendermos e sermos mais crítico em relação
a nossa herança cultural (BARBOSA 1992, p. 34)". De forma
resumida, o autor coloca que o objetivo das aulas de dança, e
de artes em geral, na escol!
a deve o de transformar os alunos em "melhores pensadores"
da arte.
A proposta de MARQUES (2001) e BARBOSA (1992) a respeito de um novo
modelo para a dança está muito próxima ao debate
estabelecido por Paulo Freire a mais de vinte anos, quando defendeu
a Educação como prática da liberdade.
Em sua obra, FREIRE (1983) discute e nega a condição de
ensino no qual de um lado professor está repetindo interminavelmente
lições e exercícios, e de outro lado, um aluno
passivo, o qual ao estar no ambiente escolar está submetido ao
"conhecimento" do docente. MARQUES explicando como deve-se
entender o processo de aprendizagem em FREIRE coloca que:
Uma das
propostas de Freie para o trabalho educacional comprometido com a realidade
social estaria baseado no tema gerador dos educando. O tema gerador
deve como o próprio nome diz, gerar conhecimentos sistematizado,
estabelecer espaços para um diálogo constante que, através
dos conteúdos escolares, contribuam para a compreensão
do próprio tema. (MARQUES 2001, p.41)
A proposta
de ruptura com o paradigma existente na educação é
analisada por Pernambuco (1993), o qual acredita que o modelo freiriano
possibilita o crescimento do conhecimento de forma verdadeira. Para
este autor:
Buscar
o tema gerador, compreender o que é significativo nas dimensões
analítica e vivenciar, trabalhar a partir desse tema, é
trazer à tona as contradições e tentar ir além
delas, supera-las, possibilitando a conquista de novos conhecimentos
para todos os participantes. Significa a ruptura, uma mudança
profunda no olhar, na construção do diálogo, da
aceitação honesta, mais do que isso, na busca por diferenças,
da sua superação em uma construção coletiva.
(PERNANBUCO 1993, p.78)
Ainda na linha de educação proposta por Freire, BECKER
(2001, p.41), afirma que a educação deve ser algo unilateral
na sala de aula, aonde o aluno também é um formador de
conhecimento.
Pensamos
em uma sala de aula onde a proposta do professor é co-participada
pelos alunos, pelas sugestões dos alunos e a proposta dos alunos
é viabilizada pelo professor. E na qual a ação
começa a fluir de ambas as partes, e não só a relação
professor-aluno ou aluno professor, mas também na relação
aluno-aluno.
Algumas
Considerações
Como observamos,
a tendência pedagoga freiriana, a qual também é
uma das mais reconhecidas mundialmente, critica severamente o modelo
até aqui colocado e utilizado no ensino da dança na escola.
Não obstante a isso, pesquisadores da área da Dança,
como MARQUES, BARBOSA, PERNANBUCO, entre outros também não
estão satisfeitos com a situação atual; e arduamente
propõe novos modelos para a dança escolar.
A grande dificuldade então é entender o porquê a
dança é desenvolvida de forma equivocada na escola, se
os principais pesquisadores relutam contra este sistema? Esta pergunta
que aparentemente é difícil de ser resolvida acaba sendo
facilmente argumentada. Se observarmos o início deste texto,
colocamos que a dança tem sido desenvolvida em muitas poucas
escolas, e que na maior parte destas não são profissionais
qualificados que trabalham com a dança. É justamente essa
a resposta para nosso questionamento, a falha está na presença
de pessoas não gabaritadas com a dança desenvolvendo esta
disciplina.
Para resolver essa situação é necessário
urgentemente que se faça cumprir a Lei. Primeiramente fazer-se
cumprir a obrigatoriedade da dança no currículo, de forma
trasndiciplinar na Arte. Em segundo lugar é fazer com que os
docentes sejam licenciados em dança e não ex-bailarinos,
e ou de demais áreas. Para que isso acontece porem, é
necessário uma forte união dos profissionais da área,
através mobilizações para retirara do mercado os
inclusos.
Em fim, a dança na escola vive um momento em que só será
reconhecida e respeitada se os profissionais que nela são formados,
mostrarem seu trabalho, exigindo sua posição no mercado
e nele mostrando o real conhecimento da dança.
Referências
BARBOSA,
A.M Arte-educação no Brasil. São Paulo: Perspectivas,
1986
BARRETO,
D. Dança...ensino, sentidos e possibilidades na escola. Campinas:
Autores Associados, 2004
BECKER,
F. O ato pedagógico de ensinar e a produção do
conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 2001
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983
MARQUES,I.
Ensino da dança hoje: textos e contextos. São Paulo: Cortez,
2002
MOYSES,L.O
desafio de saber ensinar. Campinas: Universidade Federal Fluminense,1994.
SACRISTAN,GOMEZ.
Compreender e Trasnformar o ensino. Porto Alegre:ArtMEd, 1998
PERNANBUCO,M. Significações e realidade: conhecimento
In: PONTUSCHUKA, N. Interdisciplinaridade na escola pública.
São Paulo: Loyola, 1993
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PARAMETROS CURRICULARES NACONAIS, LDB 9394-96. MEC - Ministério
da Educação e Cultura, Brasília- DF: 1996
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