Por Luís Florião - pesquisador, professor e idealizador do Movimento Lambada Brasil
O casal de professores de dança de salão Adriana DAcri e Luís Florião, acaba de chegar da Europa, onde participou de dois congressos internacionais, um em Barcelona, e outro em Londres, além disso, fizeram shows e ministraram aulas em Palma de Mallorca, Amsterdam e Colônia.
Quem não se lembra da lambada? Uma dança expressiva, de movimentos sinuosos que realçam a beleza da mulher. Uma dança brasileira que foi febre mundial nos anos 80/90.
Pois é, depois que a música deixou de fazer sucesso, a dança não perdeu força, pelo contrário, está mais linda que nunca e hipnotiza platéias no Brasil e no mundo.
A experiência foi muito gratificante, pois vimos nossa cultura respeitada e valorizada, vimos apresentações lindas, feitas por japoneses, argentinos, espanhóis, surinameses, angolanos... vimos ingleses dançando como nós, e vimos principalmente um grande amor e curiosidade pelo que é brasileiro. Mais que uma vez encontramos europeus falando português com sotaque brasileiro. Gente que já veio diversas vezes aqui, ou que sonha vir, explica Adriana.
Luís conta entusiasmado: Tínhamos somente acertados os dois congressos, o sucesso foi tal que foram surgindo outros convites e tivemos quarenta dias muito atarefados, além de uma perspectiva de intercâmbio continuado de lambada e também samba de par.
A essa altura, o leitor pode estar surpreso, imaginando japonesas com sainhas rodadas dançando ao som de Chorando se foi, o maior hit fonográfico daquela época. Mas nem Beto Barbosa, nem Kaoma fizeram parte do repertório.
Hoje, dança-se ao som de pops internacionais de Madonna, Cher, Santanna, as músicas árabes com influência cigana são das mais bonitas para se dançar lambada. Nas pistas há ainda a kizomba africana e principalmente o zouk caribenho. Parece uma grande salada, mas todas essas músicas, e outras ainda, das procedências mais diversas, têm uma marcação rítmica em comum: o compasso que embala a dança originada no Pará, que teve Porto Seguro como cidade símbolo e que hoje, é uma semente verde-amarela espalhada pelo mundo. Ah, sobre as sainhas das moças e calças largas e estampadas dos rapazes? Pode esquecer também, a lambada tem outro visual.
Informar ao grande público, livrar-se de estereótipos muitas vezes até pejorativos e definir uma estratégia mundial de divulgação da lambada foi um dos temas discutidos nos dois congressos. Preocupados em serem considerados fora de moda, muitos dançarinos passaram a dar outro nome ao que faziam, relacionando-se o mais das vezes com o ritmo zouk, há quem diga que está dançando zouk, lambazouk, lambada-zouk e ainda outros títulos.
A nossa preocupação é que se perca a referência brasileira. No Rio e em São Paulo encontramos muito jovem que dança lambada e pensa que dança zouk. Não gostaria de ver nossa arte divulgada como produto caribenho ou francês, mas infelizmente, já aconteceu, e num programa de TV com grande audiência em todo país, relata Luís Florião, que defende a importância da valorização da cultura, do estudo e respeito às origens.
Autor de uma pesquisa a respeito da lambada, ele advoga em favor do nome original, pois apesar da natural evolução, os movimentos básicos e característicos mantém-se, não justificando-se a ruptura e mesmo o risco de perda da noção sobre a brasilidade da dança.
De volta a Porto Seguro
No fim deste ano, a Meca dos lambadeiros, Porto Seguro, sedia o congresso internacional, onde será dada continuidade à discussão sobre os rumos desta dança incrível. A programação que dura até três semanas inclui comemoração do reveillon, cursos e apresentação de professores vindos do Rio, Minas e São Paulo, além de Londres, Espanha, Japão e Argentina. Mais informações (21) 2565 7330, 2568 7823; (sd@dancecom.com.br).
A turnê:
Espanha - Barcelona: aulas e apresentações no Congresso Internacional de Lambada; apresentações de lambada nas casas noturnas Cyan (Porto Olímpico) e Samba Brasil.
Espanha - Palma de Mallorca: master classes de lambada, aulas para iniciantes de lambada e samba, apresentações de lambada e samba nas casas noturnas Made in Brasil, Belle Époque e uma de samba a convite da prefeitura de Campos, no interior da ilha.
Alemanha - Colônia: aula de forró, apresentações de samba e lambada na casa noturna La Siesta.
Holanda Amsterdam: master classes e apresentação de lambada no clube Rams.
Inglaterra Londres: aula e apresentação no Congresso Internacional de Lambada e Samba.
Contatos: (almad@dancecom.com.br), (21) 22840011, 25657330 e 25687823.
www.conexaodanca.art.br