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Flamenco: Alma do negócio ou negócio da alma? Por Cylla Alonso
A arte é uma forma de expressão, mas nem toda expressão é arte. Por si só, expressar sentimentos não poderia ser sinônimo de arte, nem de flamenco. A expressão de sentimentos se reflete, pura e simplesmente, em quaisquer veículos que um indivíduo possa dispor e dominar. Por exemplo, numa situação de raiva, abandono ou tristeza, um indivíduo pode chorar, pode pintar, pode escrever, pode esmurrar a parede, pode ligar o som e dançar por horas seguidas ou pode conversar com alguém. Quaisquer destes exemplos servem para extravasar e expressar sentimentos, embora, particularmente, não caracterizem arte. Mas será que correto afirmar que a expressão se reflete apenas através de veículos que um indivíduo possa dominar? Imaginemos um analfabeto. Em teoria, ele pode expressar seus sentimentos de diversas formas, menos através da forma escrita. Para expressar-se pela escrita ele precisa, no mínimo, conhecer as vogais e as consoantes, depois, saber como formar palavras, como formar orações e como compor um texto. Na prática, se ele quiser e tiver consigo quaisquer instrumentos que permitam escrever (habilidade motora mais objetos que permitam imprimir a escrita, como papel e caneta), ele pode fazê-lo mesmo sem saber como funciona a linguagem escrita. O fato é que, além de não ser arte, a ausência do domínio do veículo impede que ele ou qualquer outra pessoa possam ler e entender alguma coisa do que está escrito, embora ele próprio possa ver sentido e compreender suas próprias anotações através da lembrança do vínculo entre determinada sensação emocional, motora e gráfica. Não se pode nem desconsiderar que o flamenco é uma linguagem artística rebuscada que, a cada dia, supera limites e aumenta seus padrões de exigência, nem disseminar o esquecimento do árduo percurso que antecede a interpretação e expressão. Da mesma forma, não se deve incentivar um analfabeto a escrever desconhecendo a escrita. Deve-se incentivá-lo a preocupar-se em aprender, estudar e praticar, ainda que ele insista em convencer, e convencer-se, de que sua forma diferente de escrever poesias é um estilo próprio. Só existe um estilo próprio, se o indivíduo opta por uma determinada forma porque a prefere dentre todas as outras que domina, e não porque esta única forma é tudo que ele conhece. O artista flamenco deve conhecer seu instrumento, dominando o conhecimento, a técnica e a prática, para utilizá-lo no estudo e aplicação de padrões e exceções que englobam comunicar-se e interagir com outros elementos, para que, por fim, ele possa interpretar e expressar tudo que lhe vem da alma. Flamenco
é inegavelmente um negócio da alma!!! Fonte: Artigo fornecido pelo site www.dartflamencobrasil.com.br |
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