FRANÇOIS
DELSARTE E A DANÇA MODERNA.
François
Delsarte, francês, considerado um pioneiro, um dos principais precursores da
dança moderna, influenciou nomes como Isadora Duncan, Kurt Jooss e Mary Wigman,
principalmente por sua repercussão na Europa e nos Estados Unidos.
Os
estudos de François Delsarte surgiram da necessidade de aliar o conhecimento da
linguagem do corpo com a linguagem da alma, proporcionando uma investigação
sistemática dos traços e suas diversas variações de emoções como medo, o amor,
a cólera, a tristeza.
Aliando
as inquietações do indivíduo e da dança baseada no ballet clássico, como única
dança considerada arte, ocorre a ruptura, que faz
surgir a dança moderna, através da crise da concepção artística vigente.
Avançou
em seus estudos, inteligentemente a fim de buscar respostas ao conflito
existente, que obrigava o indivíduo a se adaptar a metodologias ou formas
preestabelecidas. Buscava uma metodologia que respeitasse cada pessoa, unindo
suas facilidades e suas limitações. Queria fugir do que até hoje observamos em
alguns treinamentos, sejam eles do ballet clássico ou mesmo qualquer outra
atividade física. Onde o resultado final é muito mais importante que o
processo, anulando muitas vezes as limitações individuais, a fim de se encaixar
numa fórmula. A partir de Delsarte, despertou-se a valorização do ser e a
possibilidade deste se aceitar com seu corpo e de se realizar através dele, sem
a agressão que qualquer técnica mal empregada proporcionaria.
Estudou
a relação entre a voz, o movimento, a expressão e a emoção do ser humano.
Através de suas pesquisas percebeu que a expressão humana é composta
basicamente pela tensão e o relaxamento dos músculos (contration and release)
e que para cada emoção existe uma correspondência corporal específica.
Posteriormente esse princípio foi a base da técnica de
uma das mais famosas bailarinas modernas, Marta Grahm.
As
leituras corporais realizadas por Delsarte, combinavam diversos princípios que
depois foram utilizados por Rudolf Laban, para a criação da metodologia
labaniana, como as relações de peso, espaço, tempo, volume, velocidade do
movimento.
Para
Delsarte, todo homem passa a ser artista do movimento a partir do momento que
ele existe, com essas modificações na concepção de movimento conseqüentemente a
dança passa a ser universal, criada pelo e para o indivíduo, a partir de seus
princípios mais verdadeiros.
A
essência do ser humano é o necessário para todas as artes do movimento, para
que não sejam apenas gestos mecanicamente realizados, mas movimentos que
expressem verdadeiramente os mais profundos sentimentos da alma humana.
A partir
de Delsarte, os artistas que utilizam o corpo como meio e instrumento de sua
arte passaram dispor de mecanismos para abrilhantar, ampliar e enriquecer a
arte.
Hoje, Delsarte
apresenta uma influência indireta nos dançarinos já que sua metodologia não é
aplicada pura e simplesmente, sobre este assunto GIRAUDET, conclui:
“Com o
pensamento delsartiano surgiu uma ligação direta entre o corpo e a alma, entre
o físico e o espiritual; e foi a criação dessa nova linguagem corporal que deu
o primeiro - e talvez mais importante - passo em direção a uma nova proposta de
dança distante do formalismo e mais próxima do que, mais tarde, se consolidaria
como sendo uma das mais importantes nos séculos posteriores. Com o pensamento
delsartiano, a dança passou a ter só um guia: a própria alma humana”
Bibliografia Consultada:
BONFITTO.
M.- O ator-
compositor . As ações físicas como eixo: De Stanislávski a Barba, São Paulo ,
Perspectiva.
GARAUDY,
R. Dançar a Vida Ed. Moderna , Rio de Janeiro 1980
GIRAUDET.A – La Danse Moderne di Isadora a Twyla
Tharp, In BARRIL, trad. Marilia
Vieira Soares J. (org.), Paris, Vigor Editions, 1977.
SHAW, T.- Every Movement, A
book About F. Delsarte. New York, Theater Comunications Group, 1963
INFORMAÇÕES PESSOAIS
Carolina Romano de Andrade
Mail: carolromano@terra.com.br
·
Bacharel em Dança na Universidade Estadual de Campinas –
UNICAMP
·
Mestranda em Artes - Universidade Estadual de Campinas –
UNICAMP, com o projeto intitulado “O gestual humano e o Barroco Mineiro: uma
ótica de François Delsarte” orientadora Marilia Vieira Soares.