Perfil
da Dança nas Escolas Municipais de Curitiba
Por
Eder Fernando Nascimento e Gisele Miyoko Onuki
A
dança está presente desde o início da história
da humanidade em todas as culturas, acompanhando a evolução
do homem e suas transformações socioculturais. Ela vêm
passando de uma linguagem ritualística, para manifestações
mais elitistas até atingir a diversidade de conceitos que nos
tempos modernos vem mobilizando paradigmas em diferentes áreas
de estudos, dentre elas, na educação.
No ambiente escolar, a arte de uma maneira geral, tem sofrido importantes
alterações conceituais, apartir de 1996 através
da lei nº.9.394/96, o ensino da arte na educação
básica, torna-se obrigatório como componente curricular,o
que vem gerando uma serie de questionamentos sobre o fazer artístico
da dança na escola. Com a reformulação das Diretrizes
e Bases da Educação, a dança inicia sua jornada
incorporando-se à disciplina de Artes. Os objetivos da dança,
de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, estão
organizados em três pilares: a dança na expressão
e na comunicação humana; a dança como manifestação
coletiva; e a dança como produto cultural e apreciação
estética.
Estas vertentes da arte no ambiente educacional têm potencial
para dialogar com outras áreas do conhecimento humano e promover
a formação e transformação de cidadões.
Assim, a escola pode contribuir para que os indivíduos entrem
em contato com atividades que, como a dança, seja capaz de
favorecer o desenvolvimento de sua capacidade criativa e investigativa
no mundo.Todavia, a herança histórica - cultural do
fazer com a dança na escola constituiu corpo de forma marginal,
entenda-se como sendo através de 'dancinhas' realizadas para
datas comemorativas, desvinculadas de contextualização
e crítica.
Assim, vefiricamos uma distancia significativa entre os avanços
das abordagens conceituais do fazer artísticos da dança
na escola e sua prática que vem sendo pautada na reprodução
de modelos pré- estabelecidos de uma cultura corporal fundamental
em códigos estereotipados ainda embriagados dos ideais do tecnicismo.
Esta forma de proceder com a dança enraizou - se de tal maneira
que infelizmente ainda é bastante comum encontramos nas escolas
reproduções das dança apresentadas pela mídia,
em geral caracterizada pela cultura pop, fazendo com que os alunos
fechem-se nestas realidades e conceitos sobre a dança, privando-as
de oportunidades de conhecer é até mesmo vivenciar as
diferentes propostas dos variados estilos de dança, abrindo
novos caminhos de descobertas corporais e de desenvolvimento do seu
potencial criativo, a partir do grande poder de relações
que a arte possui.
Portanto, a dança entendida como linguagem artística,
tão necessária ao desenvolvimento do ser humano, parece
ser uma atividade que ainda está nascendo nas escolas, e como
tal, necessita de investigação e reflexão constante
para tornar-se efetiva em seu enorme potencial. Diante deste fato,
entendemos que o primeiro passo no sentido da construção
de uma prática mais condizente com o dinamismo e a complexidade
dos ideais teóricos que atualmente percorremos, está
em compreendermos a nossa própria realidade. Com este objetivo,
os alunos* do 2ª ano de Dança de 2004 da Faculdade de
Artes do Paraná (FAP) realizaram uma pesquisa para determinar
o perfil das atividades de dança realizadas nas Escolas Municipais
da Cidade de Curitiba.
A pesquisa realizou-se de forma descritiva, através da elaboração
de um questionário aplicado em forma de entrevista aos coordenadores
e/ou diretores de 133 escolas, abrangendo os 8 núcleos de Educação
da cidade. O questionário sucedeu-se por meio de uma ordem
progressiva, iniciando: se há ou não dança nas
escolas. Para aquelas que desenvolviam qualquer tipo de dança,
verificamos se estava inserida dentro do curriculum escolar ou extra-curricularmente,
e como estava inserida, constatando inclusive a formação
do profissional atuante, para assim tornar possível o mapeamento
de um perfil das escolas da Capital do Paraná.
Constatamos que dentre as escolas 55% possuem algum trabalho de dança
e 45% nenhuma atividade no ambiente escolar. Nas escolas que têm
dança como linguagem artística, notou-se que 65% destas
são aplicadas através da Educação Permanente,
ministrada de forma extra-curricular, e as que estão dentro
do contexto curricular, 21% integram a disciplina de Artes e 14% na
Educação Física. Os profissionais que desenvolvem
o trabalho de dança nas escolas possuem diversas formações,
desde licenciados em Artes/Dança (8%), Artes/Outros (24%, com
sua maioria com formação em Artes Visuais), Educação
Física (46%), outras formações como Pedagogia,
etc (9%) e profissionais sem formação superior, que
em sua maioria integram o ensino da dança na Educação
Permanente (13%). Mediante esta pesquisa, pudemos também constatar
que a dança inserida no contexto curricular, ainda é
aplicada de forma imatura devido à complexidade de seus conteúdos
e o não domínio da linguagem por partes dos profissionais
(p!
olivalentes), ficando assim, muitas vezes excluída do conteúdo
programático da disciplina de artes e se restringindo as montagens
coreográficas realizadas na disciplina de Educação
Física sem finalidades artísticas (desenvolvimento criativo
e artístico).
De acordo como os resultados apresentados, pudemos concluir que a
maioria das Escolas Municipais de Curitiba não desenvolve um
trabalho de dança como linguagem artística, e, portanto,
verificamos que nossa realidade ainda não é diferente
daquela observado. Entretanto, sabemos que o conhecimento, mais preciso,
desta realidade é apenas o primeiro passo para estabelecermos
estratégicas de ação que possam contribuir para
sua transformação.
Para muitos, alterar este estado de coisas não passa de utopia,
para outros é apenas um trabalho ingrato de "formiguinhas".
A nosso ver, este é sem dúvida um trabalho árduo,
assim como todos os outros que requerem conscientização
para alterações de padrões miméticos da
sociedade. Porém, na medida em que cada segmento social, compreender
a sua importância de atitudes interdependentes, estaremos mais
próximos de gerar alterações significativas nessa
área. Vocês já perceberam como as formiga são
eficientes em sua capacidade de trabalho conjunto então, fica
aqui o desafio.
* Ailton
Galvão, Bárbara Tredezini, Carolina Bim, Carolina Costa,
Eder Fernando Nascimento, Elaine Seullner, Fernanda Gusso, Flávia
Mattos, Gisele Dornelles,Gisele Miyoko Onuki, Giuliana Manfio, Jeniffer
Dionísio, Karin Chaves, Maria Lúcia Mesquita, Mariana
Costa, Mariana Batista, Miriam Baiak, Paula Penso, Renata Roel, Vivian
Kanak.