Bailarina


in Poiesis, XI (2004), 173.
14/03/2004
Poesia de: Vitor Casado
Fonte: Prosa a Solta

Já coleccionei gestos no firmamento,

E sonho surripiar sombras

Que enfrentem a luz e a penumbra.

Mas elas evadem-se quão efémeras

Tal como o findar do parto, da dor e do amor.

O teu corpo cai esmorece e recupera.

Corre e rodopia. Eleva o teu porte fino e leve.

Sinto-me despojado de mim

E do peso dos dias.

Mariposa porque não te posso encurralar

Fechando as mãos por um infímo instante

Para depois te libertar ?

Os meus dedos incapazes entrecruzam-se

Mas os teus tecem histórias nessa linguagem

Onde recolhes a herança milenar dos gestos.